sábado, 25 de junho de 2011

Viajando na Maionese, Literalmente.


  Já é manhã e Luis Guilherme toma seu café da manhã – na verdade, ele toma uma média porque não gosta de café preto, café puro.
   Luis é ator, não leva isso muito a sério, mas é ator. Fez até comercial. O da margarina Harmonia, por exemplo, em que ele era o filho homem de um casal de filhos de pai e mãe bem sucedidos. Sua vida não era como a do comercial, ele é filho único, mora com a mãe. E o pai, bem, o pai não importa.
  Na vida de ninguém tudo são flores e são raros os casos de família feliz como no comercial de margarina, até porque as pessoas querem ação em suas vidas então fazem o circo pegar fogo em seus lares.
  Enfim.
  Luis tomava seu café - café com leite - quando resolveu se entreter analisando as informações do rótulo do pote de maionese assim como quando estamos debaixo do chuveiro e começamos a ler o rótulo do xampú como se aquilo pudesse mudar nossa vida para sempre como um livro de autoajuda. E começou a viajar na maionese, literalmente:

  - Então isso aqui tem ômega 3? Pra que isso serve? Só tenho 20 anos, não sei se preciso disso. Mas o que importa é o sabor. Que não sei porque é bom, mas é bom. É só mais uma coisa salgada e cremosa, mas é bom. Será que engorda? Porque se engorda não me preocupa porque não tenho pré-disposição pra engordar, seja lá o que isso signifique.  Tem aquele negócio de que coisa industrialiada... Indunstriali... Industrializada pode causar câncer, mas se ninguém liga deve ser só um mito, como essa história de que antena de telefonia celular causa câncer por causa da radiação. Essas torres mal enviam sinal para celular, como podem causar câncer na gente?!
  Ele continuou refletindo sobre a maionese até que descobriu o forno microondas.

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